As 10 Maiores Franquias Multimídia do Mundo
Pokémon, Hello Kitty, Star Wars… se você acompanha minimamente o universo do entretenimento, já viu esses nomes estampando filmes, jogos, camisetas, copos, parques temáticos e qualquer objeto que caiba um logotipo. Mas o que faz essas marcas atingirem cifras bilionárias e atravessarem gerações? Neste guia definitivo, vou destrinchar as 10 maiores franquias multimídia do planeta, explicar como elas geram receita, quais estratégias adotam para se manter relevantes e, principalmente, que lições podemos extrair desse ecossistema para negócios de qualquer porte.
Ao final da leitura, você entenderá:
- O conceito de franquia multimídia e o papel do licenciamento.
- As métricas que revelam o valor real de uma marca.
- O motivo de cada uma das 10 gigantes ocupar o topo do ranking.
- Tendências que moldam o futuro do entretenimento global.
- Ações práticas para aplicar esses insights em projetos criativos ou corporativos.
1. O que é uma franquia multimídia e por que ela domina o entretenimento
Franquia multimídia é um universo narrativo ou conceitual que existe de forma consistente em pelo menos três mídias diferentes e apresenta múltiplas produções em dois desses formatos. Mais do que diversificar canais, o objetivo é criar uma experiência integrada, onde filmes impulsionam vendas de brinquedos, quadrinhos alimentam enredos de jogos e séries mantêm o fandom engajado entre estreias no cinema.
Essa abordagem ganhou força a partir dos anos 1980, quando estúdios perceberam que o valor de marca muitas vezes supera a própria bilheteria. Uma trama envolvente e personagens reconhecíveis se transformam em um ativo capaz de gerar royalties recorrentes por décadas. É o chamado flywheel: o sucesso em uma mídia gira a engrenagem que alimenta as demais, criando um ciclo de receita praticamente infinito – desde que a relevância cultural seja preservada.
2. Como calcular o valor de uma franquia: métricas de mercado que você precisa conhecer
Quando falamos em “franquias que movimentam bilhões”, nem sempre fica claro de onde vem tanto dinheiro. As principais fontes de receita são:
- Produtos licenciados: roupas, brinquedos, material escolar, itens de decoração, alimentos e tudo o que possa ostentar a marca.
- Jogos eletrônicos: consoles, PC, mobile e, mais recentemente, serviços de assinatura e microtransações.
- Bilheteria de cinema: inclui exibições internacionais, IMAX, 3D e relançamentos.
- Home video e streaming: Blu-ray, VOD, plataformas on-demand, etc.
- Publicações: mangás, quadrinhos, romances e livros ilustrados.
- Experiências presenciais: parques temáticos, exposições, cruzeiros e espetáculos.
O ranking global que usamos como referência consolida esses números em dólares. Vale lembrar que se tratam de estimativas de mercado, já que nem todas as companhias divulgam seus relatórios em detalhe. Ainda assim, o panorama oferece uma radiografia bastante confiável de quem detém o poder no tabuleiro mundial do entretenimento.
3. Ranking das 10 maiores franquias multimídia do mundo
A seguir, analiso cada marca, destacando valores aproximados, trajetória histórica e os principais motores de faturamento.
3.1 Pokémon – US$ 147 bilhões
Lançado em 1996 para Game Boy, Pokémon rapidamente extrapolou o universo dos videogames. O anime, exibido em mais de 170 países, cimentou personagens como Pikachu no imaginário coletivo. O case de licenciamento é impressionante: mais de US$ 100 bi vêm de produtos físicos – de chaveiros baratos a colaborações de luxo com Jo Malone e Longchamp.
- Jogos: 27,6 bi. Cada novo título “duplo” (ex.: Sword/Shield) vende milhões na primeira semana.
- Cards colecionáveis: 12,1 bi. Um mercado secundário aquecido, com cartas raras chegando a seis dígitos.
- Estratégia vencedora: rotacionar gerações de monstrinhos a cada três ou quatro anos, mantendo a sensação de novidade sem diluir a essência da marca.
3.2 Hello Kitty – US$ 89 bilhões
Criada em 1974 pela Sanrio, Hello Kitty é a prova de que uma boa iconografia pode dispensar narrativas complexas. A gatinha sem boca aparece em mais de 50 mil produtos oficiais – de escovas de dente a aviões Airbus A330 temáticos. O segredo? Um design minimalista capaz de agradar bebês, adolescentes e adultos colecionadores.
- Merchandising: quase a totalidade do faturamento. Jogos e animações funcionam mais como publicidade estendida.
- Insight de branding: neutralidade cultural. Ao não possuir falas ou conflitos dramáticos, ela se adapta a qualquer mercado, religião ou faixa etária.
3.3 Winnie the Pooh – US$ 76 bilhões
Originário dos livros de A.A. Milne (1926), Winnie the Pooh ganhou nova vida quando a Disney adquiriu os direitos nos anos 1960. A estética acolhedora e as lições de amizade transformam o Urso Puff em campeão de itens para bebês e decoração infantil.
- Produtos licenciados: pilar de receita que assegura longevidade mesmo sem lançamentos frequentes.
- Gestão de catálogo: curtas animados atemporais, que não datam com efeitos visuais ultrapassados, facilitam relançamentos contínuos.
3.4 Mickey Mouse e Amigos – US$ 74 bilhões
Ícone máximo da The Walt Disney Company, Mickey Mouse representa quase um século de legado. A marca se perpetua em novas séries (ex.: “Mickey Mouse Funhouse” no Disney +) e colaborações fashion com Gucci e Adidas.
- Ecossistema diversificado: de cruzeiros Disney até parques na Ásia, Mickey é a “cara” institucional da empresa.
- Propriedade intelectual em vigília: a Disney defende vigorosamente o uso da imagem, mesmo às vésperas do domínio público de Steamboat Willie.
3.5 Star Wars – US$ 70 bilhões
Uma galáxia muito, muito distante… e extremamente lucrativa. Desde 1977, Star Wars reconstrói seu universo com filmes, séries (“The Mandalorian”), jogos (“Jedi: Survivor”) e um parque imersivo, o Galaxy’s Edge.
- Merchandising: 42,2 bi. Sabres de luz, capacetes colecionáveis e LEGO são itens obrigatórios.
- Bilheteria: 10 bi. A trilogia sequela, apesar de divisões no fandom, manteve o cash-flow.
- Estratégia transgeracional: nova trilogia a cada 15-20 anos, garantindo renovação de público em ciclos definidos.
3.6 Anpanman – US$ 56 bilhões
Quase desconhecida no Brasil, a franquia infantil Anpanman é onipresente no Japão. O herói, um pão doce recheado de feijão, ensina valores como bondade e coragem em episódios curtos.
- Produtos do dia a dia: lancheiras, lenços, doces comestíveis. A marca literalmente alimenta seu público.
- Cultura local: sucesso ancorado em valores nipônicos de cooperativismo e vida saudável, dificultando exportação massiva, mas reforçando domínio doméstico.
3.7 Disney Princess – US$ 46 bilhões
Não é apenas uma linha de bonecas, mas um guarda-chuva conceitual que une heroínas de eras distintas (Branca de Neve, Moana, Rapunzel). Ao vender “sonhos e empoderamento”, a Disney segmenta o público feminino sem canibalizar outras marcas internas.
- Sinergia com estúdios: cada live-action impulsiona vendas de vestidos e acessórios.
- Licenças de alto valor: colabs com Funko, Lego e marcas de moda infantil premium.
3.8 Jump Comics – US$ 40 bilhões
O selo da Shueisha publica mangás históricos como Dragon Ball e One Piece. Diferente das demais, a Jump Comics acumula grande parte da receita na venda de impressos e encadernados digitais.
- Modelo serializado: capítulos semanais criam engajamento contínuo e discutem tendências.
- Expansão natural: animes, jogos de luta e filmes animados reforçam o ciclo de popularidade.
3.9 Super Mario – US$ 38 bilhões
Desde 1985, Super Mario é sinônimo de videogame. A marca migrou para parques (Super Nintendo World), cinema (animação de 2023) e até cereal matinal.
Imagem: Internet
- Jogos: 32,4 bi. Cada geração de console Nintendo traz ao menos um título flagship.
- Engajamento multigeracional: gameplay acessível que envolve pais e filhos, garantindo ciclo de compra em família.
3.10 Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) – US$ 35 bilhões
Inaugurado em 2008 com “Homem de Ferro”, o MCU redefiniu a fórmula de universo compartilhado. As bilheterias superam US$ 22 bi; o restante vem de action figures, vestuário e séries como “Loki”.
- Planejamento de fases: road map público que provoca expectativa permanente.
- Cross-media orgânico: quadrinhos retroalimentam filmes, que por sua vez inspiram novas HQs e games.
4. Tendências e lições de mercado das top 10 franquias
4.1 Personagens acima de tramas
Quanto mais simples o arquétipo (ex.: Pikachu, Hello Kitty), mais fácil licenciá-lo em contextos variados. Uma história complexa ajuda na fidelização, mas o design icônico abre portas para categorias de produto insuspeitas.
4.2 Licenciamento como pilar de escalabilidade
Fabricar internamente limita a capacidade de atingir nichos. Ceder direitos a parceiros especializados cria dezenas de linhas simultâneas – e o risco logístico fica com eles. Royalties de 8 a 15% sobre o preço de atacado geram margem altíssima com pouco CAPEX.
4.3 Renovação de público
Todas as franquias do ranking, sem exceção, investem em conteúdo para a próxima geração de consumidores. Spin-offs, reboots, novas linguagens (TikTok, YouTube Shorts) garantem que a marca não envelheça com seu primeiro público.
4.4 Universalização de valores
Temas como amizade (Pooh), coragem (Anpanman) e aventura (Mario) são culturalmente neutros, facilitando a exportação global. Narrativas muito regionais tendem a ficar de fora do clube multibilionário.
4.5 Ecossistemas presenciais e imersivos
Parques Star Wars, Super Nintendo World e cruzeiros Disney fortalecem o laço emocional e elevam o ticket médio por consumidor. A tendência é que experiências ao vivo se tornem o próximo grande vetor de faturamento, compensando a saturação de streaming.
5. Como aplicar esses aprendizados no seu negócio ou projeto criativo
5.1 Desenvolva um núcleo identitário forte
Sejam criaturas fofas ou heróis sobre-humanos, crie símbolos que as pessoas reconheçam em segundos. O design deve funcionar em preto-e-branco, miniatura ou outdoor.
5.2 Pense multiplataforma desde o primeiro dia
Abrir espaço para HQs, podcasts ou webseries facilita a transição futura para mídias maiores. Estruture contratos prevendo cessão de direitos para formatos ainda inexistentes – realidade aumentada, metaverso, holografia.
5.3 Monte uma estratégia de licenciamento escalonada
- Fase 1: parceiros locais, pequenos volumes, teste de aceitação.
- Fase 2: fabricantes regionais, aumento de categorias (papelaria, apparel).
- Fase 3: players globais, colaborações high-end e presença em varejo de massa.
5.4 Utilize dados para manter a franquia viva
Análises de social listening, métricas de vendas por SKU e feedback da comunidade ajudam a detectar fadiga de personagem ou oportunidades de novos produtos. Pokémon lembra disso ao introduzir gerações a partir de surveys com crianças.
5.5 Diversifique a receita para mitigar riscos
Depender só de bilheteria ou só de assinatura torna a marca vulnerável a crises setoriais. O mix ideal contempla ao menos três fontes robustas de renda, replicando o padrão das gigantes.
Conclusão
As 10 maiores franquias multimídia não chegaram ao topo apenas graças a um filme de sucesso ou um jogo antológico. Elas dominam porque entenderam cedo que propriedade intelectual é o ativo mais valioso do século XXI. Ao expandir universos, diversificar canais de receita e renovar públicos sucessivamente, construíram barreiras de entrada quase intransponíveis.
Para criadores independentes, startups ou marcas consolidadas, o princípio é o mesmo: desenvolver personagens ou conceitos fortes, planejar multiplataformas e usar o licenciamento como alavanca. Não é necessário competir em bilhões, mas as regras do jogo estão claras.
Domine-as e você terá em mãos não apenas um produto, mas um ecossistema sustentável que pode atravessar gerações. Se Pokémon, Hello Kitty e Star Wars escreveram suas histórias com essas regras, agora é a sua vez de utilizar o playbook.


