9 franquias que Hollywood deixou em hiato: origem, legado e o que esperar do futuro Clássicos nunca morrem, mas alguns […]

9 franquias que Hollywood deixou em hiato: origem, legado e o que esperar do futuro

Clássicos nunca morrem, mas alguns parecem adormecer por décadas. Enquanto Hollywood multiplica reboots e continuações, certas marcas históricas – mesmo amadas pelo público e lucrativas – permanecem sem um novo longa-metragem há muito tempo. Este guia definitivo destrincha nove dessas franquias “congeladas”, analisa por que elas sumiram do radar, quais planos estão (ou não) engatilhados e o que podemos aprender sobre o funcionamento da indústria. Se você é fã, cinéfilo ou profissional do audiovisual, encontrará aqui um panorama completo, recheado de contexto de mercado, bastidores de direitos autorais e tendências de consumo.

1. Por que algumas franquias entram em hibernação?

Para compreender o silêncio em torno desses títulos, é preciso observar três forças simultâneas:

  • Economia de risco: blockbusters exigem investimentos na casa das centenas de milhões de dólares. Estúdios, portanto, priorizam projetos com retorno (quase) garantido. Se há dúvidas de bilheteria, a produção trava.
  • Questões legais: quem efetivamente detém os direitos? Herdeiros de criadores, coproprietários e antigos contratos de distribuição podem originar longas batalhas judiciais – e nenhum executivo gosta de assinar cheques enquanto advogados discutem.
  • Fatores criativos e reputacionais: certas obras terminaram de forma tão redonda que mexer nelas pode manchar o legado. Quando isso acontece, mesmo potencial de lucro não compensa a repercussão negativa.

Com essa lupa, vamos analisar caso a caso.

2. Radiografia das 9 franquias “sumidas”

Tubarão (Jaws)

Lançado em 1975, o original de Steven Spielberg redefiniu o conceito de blockbuster de verão. Apesar do sucesso, a série parou em “Tubarão 4: A Vingança” (1987). O motivo principal? Queda drástica de qualidade e retorno financeiro nos capítulos 3 e 4. Spielberg nunca se mostrou interessado em voltar e, sem ele, o apelo junto ao público se esvaziou. Além disso, não há um “personagem-fantasia” (como Freddy Krueger) e sim um tubarão genérico: difícil vender brinquedos, camisetas ou spin-offs sem o carisma de um protagonista.

Status atual: nenhum projeto oficial, ainda que existam roteiros spec disputando atenção nas gavetas da Universal. A indústria de animatronics e CGI avançou a ponto de permitir um reboot convincente, mas, por enquanto, prevalece o entendimento de que “bicho gigante no mar” já virou subgênero saturado.

De Volta para o Futuro (Back to the Future)

Concluída em 1990, a trilogia de Robert Zemeckis e Bob Gale é considerada narrativa fechada. Os produtores detêm controle criativo e já declararam publicamente que vetarão reboots enquanto estiverem vivos. Soma-se a isso a aposentadoria forçada de Michael J. Fox por questões de saúde. Resultado: Hollywood não consegue avançar, mesmo sabendo que a procura por uma continuação seria estrondosa.

Status atual: além do curta “Doc Brown Saves the World” (2015), nada indica que veremos Marty McFly de novo. O máximo possível seria um projeto animado ou ambientado em outro núcleo temporal – ainda assim, esbarraria na oposição de Zemeckis.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street)

Freddy Krueger é ícone do terror e atravessou gerações. Após o reboot de 2010, bem-sucedido financeiramente, um novo filme entrou em pré-desenvolvimento, mas a morte de Wes Craven em 2015 religou os direitos à família do diretor. O espólio prefere propostas que honrem o legado, e até o momento nenhuma ideia convenceu.

Status atual: rumores de série para streaming e sondagens de diretores de terror prestigiados. O obstáculo é equilibrar nostalgia slasher dos anos 80 com linguagem contemporânea sem diluir a persona sarcástica de Freddy.

Sexta-Feira 13 (Friday the 13th)

Diferente de Freddy, Jason Voorhees deve retornar. A série “Crystal Lake”, prequel encomendada para 2026, explorará a história da mãe de Jason. Por trás do avanço está a produtora A24, conhecida por atualizar o terror com estética autoral. Um novo longa-metragem também está na mira, mas depende do desempenho da série para firmar confiança de investidores.

O que esperar: se “Crystal Lake” conseguir audiência consistente, veremos Jason novamente nos cinemas até o final da década, possivelmente em uma ambientação contemporânea que dialogue com a discussão atual sobre traumas familiares.

Gremlins

Os mogwais quase voltaram várias vezes desde 1990. Chris Columbus, roteirista do original, finalmente fechou contrato para um Gremlins 3 em live action com estreia marcada para 2027. A pegadinha: ainda não há diretor anunciado, efeito especial híbrido (CGI + animatronic) precisa encaixar no orçamento e o estúdio só libera um orçamento “família” se o roteiro conseguir classificação etária +12.

Ponto crítico: a franquia dialoga com a febre natalina de merchandising. Se o departamento de produtos licenciados aprovar novos brinquedos e pelúcias, a verba sai do papel.

Máquina Mortífera (Lethal Weapon)

Franquia que consolidou o subgênero buddy cop. A morte de Richard Donner, diretor dos quatro filmes originais, abriu caminho para Mel Gibson conduzir “Máquina Mortífera 5”. Roteiro está escrito, Danny Glover aceitou voltar, mas as burocracias internas da Warner Bros. Discovery e receios sobre repercussões de declarações controversas de Gibson atrasam o aval final.

Cenário provável: se aprovado, o filme será distribuído direto em streaming, replicando a estratégia de “Plano de Aposentadoria” (2023). A premissa envolve Riggs e Murtaugh lidando com ameaças cibernéticas – questão que pode modernizar a franquia.

Highlander

“There can be only one”, mas reboots podem ser muitos. O projeto mais recente traz Chad Stahelski (diretor de “John Wick”) e Henry Cavill como Connor MacLeod. Com orçamento estimado em US$ 150 milhões, o filme depende de coprodução internacional para diversificar risco. Impasses sobre locações europeias, incentivos fiscais e cronograma de Cavill (envolvido em “Warhammer” e “Argylle”) empurraram a produção.

Diferencial: Stahelski prometeu coreografias de espada filmadas em plano-sequência, algo inédito em Hollywood. Se sair do papel, pode redefinir ação medieval moderna.

A Hora do Rush (Rush Hour)

Jackie Chan e Chris Tucker formaram uma das duplas mais rentáveis dos anos 2000. Porém, divergências salariais e acusações de assédio contra o diretor Brett Ratner congelaram “Rush Hour 4”. Ao que tudo indica, a Paramount retomou a franquia, mas condiciona a participação de Ratner a cláusulas de compliance.

9 franquias que Hollywood deixou em hiato: origem, legado e o que esperar do futuro - Imagem do artigo original

Imagem: Universal Pictures divulgação

Possível roteiro: Chan e Tucker treinariam uma dupla de recrutas mais jovens em um enredo global, permitindo passagem de bastão. Essa estratégia ecoa “Tira da Pesada 4”, que usa Eddie Murphy para introduzir nova geração sem romper com o passado.

Poltergeist

O desastre crítico do reboot de 2015 esfriou sequelas, mas o interesse por terror sobrenatural segue forte no streaming. A Amazon MGM pretende desenvolver uma série que expanda o fenômeno “poltergeist” para além da família Freeling. A força da marca reside no argumento “família comum, casa perfeita, entidade maligna” – tema que conversa com a ansiedade imobiliária atual.

Desafio criativo: diferenciar-se de competidores como “A Maldição da Residência Hill” e “Invocação do Mal”. O segredo será abraçar o subúrbio dos anos 80 como pano de fundo ou atualizar para o modelo de smart home hiperconectada, onde a assombração invade Wi-Fi e dispositivos Alexa.

3. Barreiras que mantêm franquias no limbo

Direitos autorais fragmentados

Muitos clássicos foram produzidos por estúdios já extintos ou vendidos. Reacender uma franquia exige renegociar com participantes diversos:

  • detentores do copyright original (produtor, roteirista, estúdio falido etc.);
  • herdeiros de artistas ou diretores (caso de Wes Craven);
  • acordos de distribuição internacional que permanecem vigentes por décadas.

Mudança geracional de público

Filmes que fizeram a alegria de quem nasceu antes de 1990 podem parecer lentos ou datados para nativos digitais. Voltar ao mercado requer equilibrar fan service e linguagem moderna. “Star Wars” e “Jurassic World” conseguiram, mas investiram bilhões em marketing e World Building. Nem toda IP possui esse fôlego.

Desgaste de imagem do elenco original

Mel Gibson, Jackie Chan, Brett Ratner – todos enfrentam, em maior ou menor grau, polêmicas que afetam a viabilidade de novos contratos. Às vezes, o estúdio prefere engavetar o projeto a lidar com boicotes.

4. Streaming: antídoto ou vilão?

Plataformas como Netflix, Amazon Prime Video e Peacock mudaram o tabuleiro. Há vantagens claras:

  • Risco diluído: produtos seriados exigem orçamento episódico moderado e geram assinatura recorrente.
  • Base de dados: algoritmos indicam quão grande é o apetite por determinada IP antes mesmo de filmar.
  • Flexibilidade criativa: roteiristas podem contar origens e lore sem a pressão de caber em 120 minutos.

Entretanto, o streaming também esvazia receita de bilheteria, o que limita verbas para efeitos especiais de cinema. O acordo “vídeo sob demanda” paga menos back-end a produtores, dificultando convencer talentos de primeira linha. O caminho encontrado é o modelo híbrido: série prequel para validar audiência, seguido de filme-evento (vide “The Last Airbender” live action).

5. O que fãs e profissionais podem aprender

1. Nostalgia vende, mas não sustenta sozinha

Empresas avaliam se a nostalgia converte público novo. Caso contrário, preferem IPs originais de custo menor. Fãs devem demonstrar demanda em redes sociais, crowdfunding simbólico e consumo de produtos licenciados.

2. Participação de criadores é valiosa

Robert Zemeckis barra reboots de “De Volta para o Futuro” porque entende o valor de manter a integridade criativa. Quando criadores participam, as chances de acerto aumentam – basta olhar “Top Gun: Maverick” com envolvimento de Tom Cruise.

3. Revivals exigem atualização temática

Clássicos de terror dos anos 80 lidavam com medos da época (telefonia fixa, subúrbio isolado). Versões modernas precisam dialogar com cyberbullying, vigilância digital, crise climática, ou soarão anacrônicas.

4. A janela de oportunidade não é eterna

Elencos envelhecem, direitos vencem, modas mudam. Demorar demais pode transformar retorno triunfal em curiosidade de nicho. Por isso, estúdios criam equipes dedicadas a “gerenciamento de legado” (IP Management) para monitorar momento ideal de acionar reboot.

Conclusão: o futuro desses universos está em jogo

As nove franquias analisadas ilustram como o cinema é, simultaneamente, arte, negócio e campo de batalha legal. Tubarão precisa justificar orçamento sem Spielberg; De Volta para o Futuro depende da bênção de Zemeckis; Freddy e Jason duelam por espaço no terror contemporâneo; Gremlins, Máquina Mortífera, Highlander, A Hora do Rush e Poltergeist buscam relevância em meio ao streaming.

Como especialistas e entusiastas, devemos observar:

  • negociações de direitos: termômetros de retomada;
  • movimentação de roteiristas renomados em short lists da imprensa;
  • encomendas de séries derivadas, que costumam preceder franquias cinematográficas.

Seja qual for o desfecho, esses títulos já deixaram marca indelével na cultura pop. Conhecer seu passado – e os bastidores que travam ou liberam novas histórias – é fundamental para quem quer atuar na indústria, investir em IP ou simplesmente acompanhar a próxima maratona nostálgica com senso crítico apurado.

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